quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Espinha de peixe

De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares à mesa: a filha, os genros, os netos:

- Que foi mamãe?

- Dona Carolina, a senhora ta sentindo alguma coisa?

- Fale conosco, Vovó?

A velha porém só fazia arranhar a garganta com sons estrangulados, a boca aberta, os olhos revirados para cima.

Todos ficaram em estado de pânico, Dona Carolina era muito forte, um símbolo de superação, aos 80 anos de idade mora só, apenas com a empregada, tinha a sua filha que morava no outro quarteirão e sempre estava-la, mas com sua idade era algo para se parar para observar, tinha saúde e disposição de poucos, era de se tirar o chapéu para Dona Carolina.

A filha disse:

- Mamãe pelo amor de Deus, diga-nos o que aconteceu? Não fique parada apenas olhando para cima.

Dona Carolina não tinha como falar e todos estavam deixando-a com tantas interrogações.

Se não estava falando é porque algo tinha, mas não entendiam isso, apenas o interrogavam.

Passando 15 minutos de tensão a ambulância estava chegando, não tinham avisado Dona Carolina, a senhora tinha pavor de hospital, quando estavam todos prontos, a filha aos prantos e o marido querendo conte-la, escutam o som da sirene,Dona Carolina entra em nervosismo, faz muita força para tirar o que estava lhe sufocando , não admite ir ao hospital. Quando os enfermeiro entram em sua casa para ajudá-la a ir até a ambulância, Carolina depois de varias tentativas coloca o dedo na garganta e provoca o vômito, logo sai e todos vêem a espinha que lhe segurava a voz e fôlego, a velhinha volta a falar, mais continua muito nervosa, a filha não resistiu com tanto nervosismo pensando que ia acontecer algo pior, assim que a mãe voltou a falar, a filha desmaiou no meio da sala, e foi levada pela ambulância ao hospital.

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